Resíduos – Você sabe para onde vão os resíduos que você produz?

Para evitar que haja um colapso ambiental do ponto de vista dos recursos naturais, que são finitos e estão cada vez mais escassos, é preciso entender que quando se trata de lixo, resíduos, rejeitos, etc, “jogar fora” não existe. Já virou “clichê” dizer que “jogar fora não existe porque no planeta não existe fora”, mas é real.

A prova disso é que no mês de Dezembro/2020 a Bolsa de Chicago e o Nasdaq balançaram as estruturas da ONU – Organização das Nações Unidas ao anunciar água como um novo produto financeiro, futuro.

A poluição de água, solo e ar tem contaminado os mais diversos ecossistemas. Entre os fatores que impactam a degradação ambiental, contaminantes particulados atmosféricos, destinação inadequada de efluentes e resíduos sólidos estão entre as causas.

No Brasil existe uma vasta legislação ambiental, que começou em 1937. Para minimizar essa situação e reduzir os danos ambientais a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos – regulamentada pela Lei Nº 12.305/10 trabalha em algumas frentes de preservação e medidas compensatórias por meio da:

  • Gestão de Resíduos Sólidos integrada a outras políticas como por exemplo de recursos hídricos;
  • Estímulo a medidas e ações sustentáveis na cadeia produtiva de bens e serviços;
  • Articulação entre a iniciativa público-privada, OSCIP e comunidades.

Além disso, na legislação foi classificado, entre outros conceitos importantes, a diferença entre rejeitos¹ e resíduos.

Para onde vão os resíduos?

Antes de entrarmos no tema de “para onde vão os resíduos” vamos trazer o conceito legal do termo. Segundo o artigo 3º parágrafo XVI  da lei Nº 12.305/10, “resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível”.

Em outras palavras, é “o resto” de tudo aquilo que sobra de toda e qualquer atividade humana.  Os lixões e aterros são grandes exemplos de falta de Gestão de Resíduos Sólidos.

Os resíduos são classificados quanto a origem e periculosidade de acordo com suas características de contaminantes. Por exemplo, o “lixo” hospitalar é um resíduo com risco biológico. Por outro lado, o resíduo de uma indústria química gera um passivo ambiental de risco químico. E assim por diante.

Outra classificação se dá no âmbito da extração, como é o caso de mineradoras ou de instalações, por exemplo de fábricas.

Agora sim, respondendo à pergunta para onde vão os resíduos que você produz?”, a resposta é simples, porém complexa: depende! Pois é, depende. Se existe um bom plano de gestão de resíduos, provavelmente este terá a destinação correta. Porém quando não há essa responsabilidade, os resíduos que produzimos podem acabar indo para os aterros, córregos, outros espaços ambientais e muita coisa infelizmente chega no mar.

O que seria uma destinação correta?

  • Estação de tratamento de resíduo;
  • Separação, coleta, negociação e venda de resíduo – conhecido ciclo de logística reversa;
  • Implantação de geração de energia limpa pela queima do resíduo ou alguma outra tecnologia renovável.

Toda empresa precisa se encaixar nesse processo e para isso há de se ter o PGRS – Plano de Gestão de Resíduos Sólidos; que, resumindo, é o conjunto de ações que a empresa desenvolve e prioriza quanto à responsabilidade pelo passivo ambiental que gera e faz a destinação correta.

Essa priorização se dá num processo onde se analisa previamente as etapas dos resíduos. Ou seja, na gestão há ações com foco em reduzir o que se gera de resíduo. Em outras palavras, quando gera, avalia-se se será reutilizado, reciclado ou tratado. E assim segue a etapa que valoriza esse resíduo como geração de receita e então é estabelecido a destinação adequada para cada tipo. Para isso a equipe de engenharia sempre tem tomadas de decisão assertivas, vale a pena consultá-los.

Além de evitar problemas quanto à legislação ambiental, o que a empresa ganha?

O PGRS – Plano de Gestão de Resíduos Sólidos é uma das diretrizes da PNRS – Lei Nº 12.305/10, logo, a empresa que não tem o PGRS está descumprindo a lei e pode ter prejuízos por isso. Dito isso vamos destacar alguns pontos que as empresas podem usar a seu favor com o cumprimento da legislação:

  • Divulgar suas ações de responsabilidade ambiental fazendo delas um marketing positivo;
  • Entender o ciclo da sustentabilidade e se alimentar dele dentro da estratégia do PGRS;
  • Diminuir custos e reduzir impostos com a aplicabilidade do PGRS;
  • Gerar Receita com os próprios resíduos.

Para onde vão os Resíduos da Mérieux NutriSciences – Um resumo do nosso PGRS

Nos nossos laboratórios, os resíduos resultantes das análises, como por exemplo EPIs, sobras de amostras e papéis são separados e direcionados ao descarte adequado; assim também é feito com a sobra de reagentes, ácidos e bases que são materiais contaminados também são colocados em locais específicos e adequados para descarte.

Entendendo que efluente é o “resíduo líquido” que cai na rede de esgoto, antes que chegue até lá, os efluentes do laboratório são direcionados à caixa de contenção e tratamento.

Mas para onde vão especificamente os resíduos sólidos e efluentes? Segundo a Técnica de Segurança do Trabalho da Mérieux NutriSciences, Gisele Marreto, “cada resíduo gerado é enviado para empresa responsável e homologada para o tratamento adequado, sendo coprocessamento, incineração, aterro e reciclagem.”. Marreto destacou ainda que o laboratório tem os CADRI´s autorizados pela CETESB e listou de modo resumido alguns tipos de resíduos gerados:

  • Resíduos Sólidos e Líquidos de Risco Químico (Classe I)

Os principais materiais dentro desta classificação são – amostras líquidas e sólidas, kits analíticos, insumos de laboratório com risco químico, EPIs, entre outros materiais que tenham inclusive tido contato efetivo com contaminantes químicos.

  • Resíduos Sólidos e Líquidos de Risco Biológico (Classe I)

Os resíduos classe I passam por processo de descontaminação, em autoclave, por pressão e calor. Este procedimento reduz a carga microbiana – de acordo com a RDC – Resolução da Diretoria Colegiada – 306, da ANVISA. Após este tratamento, são classificados como tipo II e enviados para incineração – resíduos de saúde.

  • Resíduos Sólidos Recicláveis (Classe II-A)

Os principais nesta classificação são: plásticos, isopor, papel e papelão.

  • Resíduos Sólidos Recicláveis (Classe II-B) 

Nesta classificação os principais são: vidro e metal.

  • Resíduos Sólidos Comuns (Classe II)

Os principais materiais destes resíduos são – orgânicos, papéis toalha, insumos de laboratório, isopor, propé, touca, copo plástico e material não reciclável em geral.

  • Resíduos sólidos (Classe II A)

Os principais resíduos nesta classificação são sobras de amostras.

  • Efluentes Líquidos Comuns (Classe II)

São basicamente compostos de sobras de amostras, água de lavagem, produtos de limpeza, detergentes e água de sanitários. São lançados em rede interna de tratamento de esgoto.

Além de todos esses cuidados e de toda a documentação estar rigorosamente atualizada frente à legislação ambiental, a empresa promove algumas ações para gerar menos resíduos, entre elas:

  • Água de reuso;
  • Reutilização dos frascos de vidro utilizados para ensaio de óleos e graxas;
  • Orientações de diálogos sobre sustentabilidade – incluindo economia de energia;
  • Entre outros.

Não é impossível colocar em prática essas ações. Mas é preciso ter vontade e entender a importância de dar a destinação correta dos resíduos. A Mérieux NutriSciences segue dando exemplo e sendo referência para outras empresas. Faça sua parte no ciclo da sustentabilidade! 😉

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¹Artigo 3º parágrafo XV da lei Nº 12.305/10 – rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada.

Escrito por

Mérieux NutriSciences

Como parte do Institut Mérieux, a Mérieux NutriSciences é um dos maiores grupos de laboratórios do mundo e se dedica a proteger a saúde dos consumidores, oferecendo uma vasta gama de serviços de análises laboratoriais às empresas e indústrias.

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