Proteção ambiental – como conciliar com a saúde financeira em pequenas e médias empresas

Garantir a proteção ambiental – independente das atividades comerciais – é indiscutível. Porém, apenas consciência ambiental não é suficiente para manter financeiramente os negócios ativos e ecologicamente corretos. Por isso vamos apontar algumas ações que podem contribuir para resolver ou minimizar os desafios que muitas empresas, especialmente as pequenas e médias, enfrentam para equilibrar as práticas sustentáveis e a saúde financeira do negócio.

A participação social tem sido forte influenciadora quanto ao consumo consciente, então marketing social é um exemplo de ação que traz retorno financeiro. Quanto mais ecologicamente correta é a empresa, melhor ela é vista aos olhos do consumidor. Divulgue suas ações. Isso lhe trará retorno certo!

Saindo do contexto da comunicação e entrando na parte mais burocrática, implantar um Sistema de Gestão Ambiental em acordo com a ISO 14000 é um passo muito importante. A proteção ambiental está dentro dos pilares para uma empresa receber o selo de Responsabilidade Social.

 O sistema de gestão ambiental é parte de um investimento necessário, inclusive do ponto de vista legal; dependendo da atividade e porte da empresa. Nesse contexto, evite multas, conheça a legislação e verifique se sua empresa precisa ter um sistema de gestão ambiental integrado. Caso seja uma empresa de pequeno ou médio porte, outra sugestão é ter a assessoria de uma contabilidade ambiental.

É fato que para garantir proteção ambiental precisa haver recursos financeiros; e, equilibrar despesas e receitas passa impreterivelmente pela redução de gastos e otimização de recursos. Por isso a gestão ou contabilidade ambiental são ferramentas eficientes nesse processo.

Apesar de não estarmos tratando, neste conteúdo, especificamente de indústrias com alto potencial poluidor, vamos falar um pouco sobre fatores que vão do pequeno ao grande para tentar facilitar o entendimento dos meios possíveis para equilibrar as contas em todos os portes.

Logística Reversa

Quando entendemos que gerar impacto, lixo, resíduo, passivos, efluentes, entre outros é uma consequência da vida humana na Terra, passamos a considerar que é essencial buscar caminhos para minimizar tudo isso para viver de maneira mais sustentável. Então reciclar, reutilizar, reduzir e tratar, se tornam processos importantes neste caminho. Desse modo a logística reversa atua de uma ponta à outra em um contexto cíclico. Em outras palavras, desde a matéria prima ao produto final e o retorno deste à “natureza” ou, ao mercado. Para entender vamos dar dois exemplos:

  1. O resto do alimento que em um primeiro momento foi colhido da terra, volta a ela como adubo.
  2. O pneu, um produto que usa em média 30 tipos de borracha – polímero obtido pela extração da seiva da seringueira e de outros vegetais – depois de não ter mais utilidade, ao invés de descartados e jogados no lixão não tem como voltar a ser seiva, correto? Então, não volta para a natureza, mas, volta ao mercado se tornando matéria prima como um dos compostos para pavimentação asfáltica; fechando assim um ciclo dentro do conceito da logística reversa.

Tanto em um exemplo quanto no outro é possível promover ações para que o que seria descartado se torne receita ($). Esses foram apenas dois dos muitos exemplos que existem para explicar a logística reversa, que contribui tanto para a questão financeira quanto ambiental.

Outros meios para pequenas e médias empresas equilibrarem as contas com proteção ambiental

Alguns restaurantes de São Paulo, por exemplo, já investiram na compra de composteiras industriais*. Todo resto de comida é colocado na máquina e se torna adubo. Alguns desses restaurantes tem espaço para ter a própria horta e terreno para plantar também alguns tubérculos e leguminosas; assim, economizam na compra desses alimentos e usam o adubo no próprio espaço. Porém, existem os restaurantes que compram tudo de fornecedores e fazem parceiras fornecendo adubo em troca ou como parte do pagamento na compra dos orgânicos.

*A composteira industrial é diferente da residencial, conhecida também como minhocário.   

Alguns supermercados já possuem máquinas que recebem embalagens plásticas diversas em troca de descontos na compra feita no próprio estabelecimento. Esta também é uma maneira que pode ajudar.

É fundamental entender que toda ação, por menor que seja, vai influenciar. Porém é preciso fazer sempre um balanço contábil. Por isso no começo sugerimos uma assessoria com esta expertise.

De modo geral, quando as empresas fazem o inventário das suas atividades – que pode ser feita também com o auxílio de uma contabilidade – fica mais fácil visualizar onde e como investir.

Por exemplo: quando o gasto com energia elétrica está alto, um inventário pode ajudar para saber onde essa energia está sendo mais consumida, assim é possível avaliar se basta trocar todas as lâmpadas por LED, colocar sensor de movimento para acender e apagar ou investir em painéis solares fotovoltaico.

Outro aspecto pode ser a água. Se a conta de água da sua empresa está alta, e não há vazamento, talvez investir em captação de água da chuva seja uma alternativa. Ou, somente substituir torneiras manuais pelas de sensores seja o suficiente.

No contexto estrutural da sua empresa, mapear os custos fixos em um inventário certamente irá direcionar melhor quais ações seguir.

Nos custos variáveis que envolvem também fornecedores, vale a parceria como no exemplo do restaurante, procurando sempre canais de interesse comum entre as partes.

No caso de empresas e negócios que geram efluentes ou resíduos é de suma importância verificar a legislação para saber quais ações exatamente são necessárias para garantir alvará e licença ambiental para o funcionamento e prática de tal atividade. Dito isso, o próximo passo é otimizar os recursos, a exemplo do que já foi falado, tentando reduzir ao máximo o passivo gerado.  

Para muitas ações e projetos existem incentivos de crédito; além disso existem também possibilidades que refletem em dedução do IR

CETESB para Todos

Em São Paulo, como muito sabem a CETESB é o órgão do governo estadual responsável por controlar, monitorar e fiscalizar a questão ambiental, bem como liberar licenças para atividades que geram poluição. Portanto, acompanhar as ações da CETESB é uma maneira de se manter bem informado e evitar multas; pois atuam desde o pequeno empresário às grandes indústrias. 

Evitar multas é também uma maneira de cuidar da saúde financeira em equilíbrio com a proteção ambiental. O órgão é um aliado para quem procura meios de fazer uma gestão ambiental sustentável.

Este ano por exemplo, o novo modelo de gestão “CETESB para todos” apresentou dados de como a integração digital do sistema de licença ambiental tem funcionado no estado.

Seguindo padrões e normas do “Acordo Ambiental SP”, que envolve empresas tanto do setor público quanto privado, comprometidas com metas estabelecidas no Acordo de Paris, tratado no âmbito da ONU – Organização das Nações Unidas, o setor  da indústria química e petroquímica ganhou abertura no diálogo com o órgão estadual.

Em março, também deste ano, durante a EBDQUIM – 9º Encontro Brasileiro dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos foi apresentado números e resultados, e debatidas pautas como: mudança do clima e medidas de redução de emissão de gases estufa, com o objetivo de conter o aquecimento global.

Quando a proteção ambiental é vista com os óculos do investimento sustentável, as prioridades analisadas ganham outro valor; e assim se chega ao equilíbrio sustentável entre saúde financeira e responsabilidade socioambiental.

Escrito por

Mérieux NutriSciences

Como parte do Institut Mérieux, a Mérieux NutriSciences é um dos maiores grupos de laboratórios do mundo e se dedica a proteger a saúde dos consumidores, oferecendo uma vasta gama de serviços de análises laboratoriais às empresas e indústrias.

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