Análises de dioxinas, furanos e PCBs

Entenda o que são e qual a sua importância para a nossa saúde

As análises de dioxinas, furanos e PCBs são muito importantes para a nossa segurança alimentar. Isso porque essas substâncias são contaminantes ambientais altamente tóxicos que podem trazer graves prejuízos à saúde se consumidos. Apesar disso, eles são comuns no dia a dia e podem facilmente entrar em nossa cadeia alimentar. É por isso que a Mérieux NutriSciences conta com um time de especialistas que realiza análises com o objetivo de identificar a presença dessas substâncias nos alimentos.

O que são e como são formadas as dioxinas, furanos e PCBs?

As dioxinas, furanos e PCBs semelhantes às dioxinas exercem a mesma ação no corpo humano. Isto é, elas agridem o mesmo receptor na célula e seguem a mesma via metabólica. Há outros PCBs, entretanto, que atuam de forma diferente e são conhecidos, portanto, como “não semelhantes às dioxinas”. Ambos são, contudo, prejudiciais à saúde.

Dioxinas e furanos são subprodutos de processos químicos que envolvem a queima de materiais orgânicos onde há a presença de cloro, como explica a analista de laboratório da Mérieux NutriSciences, Angela Cerqueira.

“Na metalúrgica, por exemplo, que você tem que fundir o metal, há alta temperatura e se isso acontece num ambiente que está contaminado com cloro e existe matéria-orgânica você acaba liberando essas dioxinas. São sempre esses três fatores: cloro, matéria-orgânica e alta temperatura”, esclarece.

As principais fontes de emissão são a incineração de lixo, produção de metais, incêndios florestais, fabricação de bens de consumo, branqueamento de papel, produção de agrotóxicos, entre outros.

Eles são produzidos de forma não intencional, ao contrário dos PCBs, uma mistura de compostos clorados, que costumava ter várias aplicações industriais devido à suas propriedades físico-químicas.

Seu uso era comum como refrigerador, fluído dielétrico, fluído em máquina e em motores.

No início feita em larga escala, a produção de PCBs foi proibida na década de 80 em todo o mundo devido à descoberta dos riscos associados à sua utilização. A proibição ocorreu primeiro nos Estados Unidos e, posteriormente, nos demais países, como o Brasil.

“Desde a década de 80…90 eles não são mais produzidos, mas como são persistentes, continuam no ambiente por muito tempo. E como foram muito descartados de forma inadequada, em qualquer ambiente você consegue encontrar PCB. Além disso, até hoje há equipamentos antigos que ainda têm”, informa Angela.

Como ocorre a contaminação e qual o principal meio de exposição a ela?

A principal forma de exposição do ser humano é a ingestão de alimentos contaminados.

Uma das situações em que isso ocorre é quando há presença dessas substâncias na ração usada para alimentar animais que serão, posteriormente, consumidos pelo homem.

“Você tem, por exemplo, rações que são feitas de farinha de pena. Então tem que incinerar a pena e isso pode ser um processo de contaminação”, explica a analista.

Como resultado, ao serem absorvidos, esses contaminantes concentram-se no tecido adiposo (onde fica acumulada gordura) de aves e bovinos.

As dioxinas, furanos e PCBs são também transportados pelo ar e podem contaminar, dessa forma, o solo ou estarem presentes nele devido à realização de algum processo (como os já mencionados) no local.

Dessa forma, aves como galinhas ou frangos, também podem se infectar ao consumirem milho bicando o solo contaminado.

Além disso, os contaminantes podem atingir rios e mares, provocando assim, o seu contato com os animais marinhos.

Produtos lácteos, carnes e peixes são onde se encontra os maiores níveis desses compostos.

Os impactos disso para a saúde humana são vários. O principal deles é a relação com o câncer, já que são reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como carcinogênicos ou potencialmente carcinogênicos.

“A importância das análises para nossa segurança alimentar é que não sejamos expostos a esses compostos e acabemos ficando suscetíveis à essas doenças”, pontua Angela.

Como são feitas as análises?

As análises da Mérieux seguem o regulamento CE Nº 589/2014 da União Europeia. O documento estabelece em seu Anexo III os requisitos mínimos para análise de PCDD/F e PCB-dl (PCBs como dioxinas) em matrizes alimentícias e também introduz o GC-MS/MS (cromatografia a gás acoplada à espectrometria de massas sequencial) como método instrumental confirmatório.

Essa técnica junta-se ao método por GC-HMRS (cromatografia a gás acoplada à espectrometria de massas de alta resolução).

É importante ressaltar também, que no regulamento são definidos requisitos de garantia de qualidade, critérios de aceitação para validação de metodologias voltadas à determinação de PCDD/F e avaliação dos resultados frente à legislação, através da introdução dos limites superior e inferior.

Durante a análise, a amostra do produto passa por uma extração para que sejam isolados os compostos de interesse. Neste caso, as dioxinas, furanos e PCBs.

O segundo passo é realizar a cromatografia, que é a técnica que identifica a presença das substâncias.

Feito isso, é realizada uma análise instrumental, na qual confirma-se a presença dos compostos.

A análise instrumental é feita através da espectrometria de massas.

Uma vez que cada composto apresenta um peso molecular, com essa técnica é possível concluir quais são os compostos presentes na amostra.

Que setores devem fazer as análises?

Garantir a segurança dos produtos é principalmente importante para empresas que visam o mercado externo.

Aquelas que exportam matéria-prima como frango ou ração para animais, por exemplo, podem se beneficiar desse estudo, além de garantir a saúde alimentar de quem consome seus produtos.

Os países têm leis bastante rígidas para o controle de entrada desses compostos e estar em desacordo com elas pode trazer prejuízos econômicos, além de logísticos para frigoríficos, produtores de ração e suplementos alimentares para animais ou empresas de alimentos em geral.

Indústrias de alimentos que busquem um alto controle de qualidade em suas fábricas também podem recorrer às análises.

Na Mérieux são várias as matrizes analisadas (como o açúcar e aditivos para ração animal). As principais são ração e gordura.

Tudo é feito com rapidez sem abrir mão da qualidade. As análises contam com um rigoroso processo de qualidade que segue normas internacionais (ISO 17.025).

“A garantia de qualidade é o órgão dentro do laboratório que garante que seguimos esses requisitos. Então checam tudo, tem os formulários, as auditorias internas…”, explica a profissional.

O que a legislação diz sobre a presença dessas substâncias nos alimentos?

A quantidade máxima para dioxinas, furanos e PCBs nas amostras possuem limites diferentes entre si dentro da legislação internacional.

Se os produtos exportados apresentarem número superior ao permitido, o alimento não entra no país de destino, provocando um grande prejuízo para empresa.

No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabelece Limites Máximos de Resíduos (LMRs) para esses compostos em alimentos destinos à alimentação animal (Instrução Normativa nº 9 de maio de 2016).

 

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Escrito por

Mérieux NutriSciences

Como parte do Institut Mérieux, a Mérieux NutriSciences é um dos maiores grupos de laboratórios do mundo e se dedica a proteger a saúde dos consumidores, oferecendo uma vasta gama de serviços de análises laboratoriais às empresas e indústrias.

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