A Gestão de Riscos e o Nitrato de Amônio

Como a gestão de risco pode evitar possíveis desastres ambientais, seja nas atividades da indústria ou de serviços. O acompanhamento constante alinhado as melhores práticas previne agravos diversos.

A gestão adequada de riscos pelas mais diversas atividades industriais e de serviços são de extrema importância e toda cadeia produtiva ligada a isso devem estar alinhadas as melhoras práticas de gestão e tecnológicas disponíveis, garantindo assim tanto a sustentabilidade de um negócio como a prevenção de agravos a saúde humana nos seus mais diversos aspectos.

Na semana passada, uma explosão de grandes proporções, associada até o momento, ao armazenamento inadequado de grande volume de Nitrato de amônio, um composto tóxico e nocivo às pessoas, acarretou um desastre ambiental, econômico e social para a capital do Líbano, Beirute.

O nitrato de amônio (NH₄NO₃) é um sal inorgânico que, em temperatura ambiente, apresenta-se no estado sólido e possui coloração branca, mas pode apresentar tons de cinza ou marrom por conta de impurezas. Quando em contato com produtos ou materiais oxidantes, ou quando aquecido, por correr risco de ignição.

Puro, o nitrato de amônio possui energia de explosão de até 1.100 Kcal/Kg e pode atingir mais de 4.500 m/s de velocidade de detonação, para fins de comparação, o TNT atinge 6.900 m/s e o explosivo ANFO 2.700 m/s.

Considerando as informações de que cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio estavam estocadas no porto de Beirute, a explosão pode ter liberado até 3 bilhões de kcal de energia, numa velocidade aproximada de 4,5 km/s. Esses números explicariam a grande destruição e as ondas sísmicas, semelhantes a um terremoto de magnitude 3.3, que foram registradas. Devido ao seu alto grau de risco, no Brasil, o nitrato de amônio é controlado e fiscalizado pelo Exército e Polícia Civil. Ou seja, é algo inconcebível considerar que um carregamento de nitrato de amônio desta proporção estivesse em um armazém há seis anos sem medidas preventivas adequadas de mitigação dos riscos.

Claro que mantidas as proporções e as consequências imediatas de tal tragédia à vida humana, o fato nos remete a uma reflexão de que a gestão adequada dos riscos de determinadas atividades deve ser algo que dispende de todos envolvidos a atenção merecida.

Em atividades industriais por exemplo o acúmulo e destinação adequada de resíduos perigosos e o tratamento e lançamentos de efluentes potencialmente poluentes e tóxicos ao meio ambiente, devem receber uma correta avaliação e gerenciamento. Também atividades de saneamento como no abastecimento de água ao consumo humano por exemplo, a correta avaliação de riscos sanitários sejam químicos, microbiológicos e parasitológicos são de extrema importância.

Neste contexto, o correto uso do recurso de uma análise laboratorial adequada e realizada com técnica sensíveis e robustas são de extrema importância neste cenário e são a etapa inicial de levantamento de informações corretas e seguras para a tomada de decisões sobre gerenciamento de riscos nos mais diversos segmentos.

Escrito por

Arnaldo Ribeiro

Biólogo, com 17 anos de experiência em laboratórios ambientais. Possui mestrado em Saúde Pública pela USP e MBA em Gestão de Produção pela FGV. Atuou na implantação de sistema de gestão da qualidade em 12 laboratórios, conforme norma ISO 17025. Conhecimento avançado em legislação de qualidade da água e atuação em análises hidrobiológicas, ecotoxicologia, análises microbiológicas e inorgânicas.

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