A Dinâmica do Mercado de Proteção de Culturas no Brasil

O Brasil se consolidou como um dos maiores produtores de alimentos do mundo e o agronegócio é o setor mais dinâmico da economia brasileira. Os números provam isso.

Em 2019, de acordo com o CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo, o agronegócio representava 21,4% do PIB total nacional, sendo responsável pelo aumento total das exportações devido principalmente ao aumento da demanda de soja, complexo carnes, milho, algodão, café, frutas e etanol.

O agronegócio é responsável pela geração de mais de 20% de todos os empregos do país, enquanto o Brasil ocupa aproximadamente 9% do seu território com áreas cultivadas, estimadas em 65 milhões de hectares (safra 2019/20).

Na agricultura, segundo o Ministério da Agricultura, a produção brasileira de grãos estimada para 2020 é de 253,7 milhões de toneladas, acima da safra anterior, representando um novo recorde, com aumento de produção em quase todas as safras, com destaque para soja, milho, algodão, trigo, milho, arroz e feijão.

O Brasil ocupa posição global relevante, como produtor e exportador de algumas das principais commodities agrícolas, sendo responsável por 58% do suco de laranja consumido em nível mundial, 29% de toda a soja, 34% do café, 17% do açúcar e 9% de milho. Portanto, o Brasil continuará ganhando importância na agricultura.

Fontes: USDA, FGV Agro

 

Além dos recursos naturais e do alto conhecimento agronômico voltado para as condições tropicais, o amplo uso de tecnologia fará com que o Brasil se destaque cada vez mais, aumentando seus níveis de produtividade a cada ano.

A chave para aumentar a produtividade é a busca incansável da competitividade global por meio de uso de tecnologias. O gráfico a seguir mostra a evolução da área plantada e os níveis de produtividade obtidos, demonstrando claramente que, enquanto a área agrícola se mantém relativamente estável, os ganhos de produtividade têm aumentado significativamente, em função do uso das tecnologias disponíveis para o setor.

Segundo dados de safra da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB – no período de 1990/91 a 2019/20, a produção de grãos no Brasil cresceu 334% enquanto a área plantada cresceu 71%, o que significa que o uso de tecnologias aumentou a produtividade ao longo dos anos.

Para entender melhor a evolução, considerando a produtividade em 1990/91, para produzir 251 milhões de t (na safra 2019/20), seriam necessários mais 100 Mio ha plantados além dos 65 Mio ha utilizados hoje.

Fonte: CONAB. *5º LEVANTAMENTO – SAFRA 19/20 – Fev 2020.

 

A produtividade continuará crescendo, segundo projeções do Ministério da Agricultura do Brasil. De acordo com o documento “PROJEÇÕES DO AGRONEGÓCIO Brasil 2019/20 a Projeções de Longo Prazo 2029/30”, a área plantada pode crescer 16,7% até a safra 2029/30 em relação a 2019/20, enquanto a produtividade pode aumentar 26,9%.

Fontes: GGAPI/DCI/SPA/MAPA. SIRE/Embrapa e UNB Depto Estatística da CONAB

 

Quanto ao uso de tecnologias, um fator fundamental para o sucesso da agricultura em condições tropicais é o uso correto de defensivos agrícolas. Estes insumos têm importante papel no manejo e / ou controle das principais pragas, doenças e plantas daninhas do mercado brasileiro. Nas condições locais, a não utilização de agrotóxicos pode causar perdas de até 40%, ou o equivalente a 100 milhões de toneladas de grãos.

Segundo o Sindiveg, o mercado brasileiro de defensivos agrícolas é bastante relevante no cenário global, com um valor estimado (produto aplicado) em US $ 13,7 MM em 2019. O mercado cresceu 8% em relação ao ano anterior. Mais de 80% desse valor está concentrado em soja, milho, cana-de-açúcar e algodão.

A soja é a principal cultura, representando cerca de 50% da área plantada, liderando também a produção e as exportações globais, sendo responsável por 53% do valor do valor de aplicações de defensivos; o milho é o segundo cultivo com 12%, a cana-de-açúcar com 11% e o algodão com 8%.

Em relação aos segmentos de defensivos agrícolas, os fungicidas são os mais importantes com 31% do valor aplicado, os inseticidas os segundos mais relevantes com 29% e os herbicidas e tratamento de sementes com 27% e 12% respectivamente.

Vários fatores influenciaram o valor de mercado nos últimos anos, sendo que, a partir de 2014, os elevados estoques remanescentes no mercado causaram forte impacto, reduzindo as vendas nos anos seguintes, sendo que a recuperação do valor do mercado ocorreu somente em 2019. O câmbio é sempre um fator determinante no valor de mercado, devido a sua volatilidade.

O mercado de defensivos agrícolas no Brasil, refletindo a conjuntura mundial, tem passado por um processo de consolidação, o que vem afetando o conjunto de forças do mercado. Esse mercado dinâmico é disputado por várias empresas, e aproximadamente 60% do seu valor está concentrado nas empresas de Pesquisa e Desenvolvimento + Biotecnologia como Bayer, Syngenta, BASF e Corteva, que estão investindo em química inovadora, novos germoplasmas e novos traits que podem combinar germoplasma com química.

A parcela de 30% do mercado está concentrada em empresas como UPL, FMC, Sumitomo, Adama e Iharabras, que tem modelos de negócios mistos entre pós-patente e P&D, alguns deles resultado de recentes processos de consolidação.

As recentes movimentações no grupo de empresas de P&D + Biotecnologia trouxeram mudanças na oferta de produtos e serviços e na forma de interagir com seus clientes. A nova oferta inclui produtos químicos protegidos por patente, sementes e características, plataformas digitais e serviços, com essas empresas procurando se diferenciar por meio de programas de marketing e como entregam valor aos seus clientes.

Proteção de safras – O desafio tropical

A dinâmica de pragas, doenças e ervas daninhas determina o alto valor do mercado de pesticidas e as taxas de adoção de defensivos agrícolas.

No segmento de herbicidas, o controle de gramíneas e algumas folhas largas, principalmente em áreas de plantio direto, tem trazido desafios aos produtores. O principal problema é o aumento da tolerância aos modos de ação disponíveis no mercado, baseado em produtos como glifosato, paraquat, ACC-ases, imidazolinonas, sulfonil ureias, etc, apenas para citar alguns dos principais ingredientes ativos ou grupos químicos. Além da resistência adquirida pelas ervas daninhas, a biotecnologia, criando cultivos tolerantes a herbicidas não seletivos, vem gerando novas “ervas daninhas” – as plantas voluntárias. O milho é um exemplo.

No segmento de fungicidas, a ferrugem asiática da soja é a principal doença. Alguns dos produtos atuais já começam a apresentar redução de eficiência devido à alta exposição às doenças, fazendo com que o conceito de defesa fitossanitária passe a ser mais voltada a “manejo” ao invés de “controle” das doenças. O manejo consiste em adotar, além de todas as possibilidades de rotação dos modos de ação do fungicida, práticas agronômicas como não plantar soja após soja, uso de variedades de ciclo curto, uso de variedades com alguma tolerância às doenças, forte monitoramento em campo, plantio mais cedo, rotação de culturas, uso de produtos biológicos etc. Outras doenças também vêm ganhando importância além da ferrugem, sendo importante identificar a doença e usar as ferramentas certas.

No segmento de inseticidas, para o controle de lepidópteros, além dos defensivos agrícolas convencionais, a tecnologia Bt (OGM) vem sendo amplamente utilizada, porém, há relatos ou suspeitas de redução do desempenho de algumas tecnologias, o que torna imprescindível a utilização de áreas de refúgio para maior eficiência no controle e proteção da tecnologia, evitando a formação de resistências e, portanto, a necessidade de desenvolvimento de novas gerações.

Existem oportunidades no segmento de Lepidoptera em mercados onde a tecnologia Bt ainda não é relevante (algumas regiões e variedades de soja), para controle das pragas em áreas de refúgio e uso de inseticidas para proteção da tecnologia em aplicações em áreas de refugiados ou em áreas Bt visando quebrar o ciclo de pragas.

O segmento de insetos sugadores vem ganhando cada vez mais relevância, como os percevejos nos cultivos da soja, milho e algodão

Para todos os segmentos de defensivos agrícolas, é fundamental que novos modos de ação sejam desenvolvidos para manter a agricultura com alternativas viáveis de produção agrícola sustentável.

Segundo estudo elaborado pela Kynetec, o mercado brasileiro é composto por produtos em diferentes estágios de maturação, sendo que 75% do valor será baseado em produtos não patenteados até o final de 2020.

Fonte: Agropages/Kynetec

 

Por fim, o Brasil é um grande e interessante mercado para empresas de proteção de cultivos. Com mais de 2 safras anuais, condições tropicais e adequadas para as pragas, o uso de agrotóxicos é essencial na produção agrícola de escala, com ganhos de eficiência e produtividade, essencialmente pela redução ou eliminação de perdas por fatores bióticos.

O Brasil é um mercado para profissionais. Se você tiver interesse em saber mais sobre este mercado, entre em contato com os consultores da ArenaAgri e da Mérieux NutriSciences.

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Referências do texto:

ABAG/RP: https://www.abagrp.org.br/numeros-do-agro – Sep/6th/2020
Agropages: http://news.agropages.com/News/NewsDetail—36338.htm – Sep/6th/2020
Sindiveg: https://gestagro360.com.br/2020/03/23/especial-mercado-brasileiro-de-defensivos-agricolas-no-ano-de-2019-sindiveg-divulga-primeiras-projecoes/ – Sep/6th/2020
https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/noticia/2020/03/setor-de-agroquimico-do-brasil-fica-em-alerta-quanto-oferta-da-china-por-coronavirus.html – Sep/6th/2020

 

Escrito por

Mérieux NutriSciences

Como parte do Institut Mérieux, a Mérieux NutriSciences é um dos maiores grupos de laboratórios do mundo e se dedica a proteger a saúde dos consumidores, oferecendo uma vasta gama de serviços de análises laboratoriais às empresas e indústrias.

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